Lídice, a primeira senadora mulher da Bahia

Procuradoria do Senado debate papel da mulher no cangaço

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Na quinta-feira (3/8), a Procuradoria Especial da Mulher do Senado realizou uma roda de conversa sobre o tema “A Mulher no Cangaço”, com o pesquisador, professor, historiador e cineasta baiano Manoel Neto. O encontro ocorreu no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB). Manoel Neto é um dos diretores de “Feminino Cangaço“, documentário de 2016 que já alcançou 100 mil visualizações no Youtube. “As mulheres entraram tardiamente, mas de forma marcante na história do cangaço”, disse Neto.

O marco da participação feminina no agreste nordestino é a entrada de Maria Bonita para o grupo de Lampião, em 1929, quando tinha 18 anos de idade. Ela abriu a porta para 50 a 60 mulheres seguirem o mesmo caminho, com seus nomes sempre associados a um companheiro, como Maria Bonita a Lampião, Dadá a Corisco, Inacinha a Gato, Dulce a Criança, Sila a Zé Sereno, Cristina a Português, entre outros.

Segundo o pesquisador, com o ingresso feminino, o cangaço se tornou mais humano. Os crimes de violência sexual diminuíram e os grupos passaram a ser mais recebidos com menos temor e hostilidade.  Sem contar que os cangaceiros assimilaram e aplicaram técnicas de costurar e bordar – que a sociedade tradicional só confiava às mulheres – à confecção de roupas e ornamentos que faziam questão de exibir, com pompa. “Já disse alguém que os cangaceiros não tinham uma aparência – eles eram uma aparição”, afirmou o pesquisador.

Acostumados a viver em grupos exclusivamente masculinos, sem divisão sexual do trabalho, os cangaceiros continuaram a cozinhar, coser, costurar, sem que as mulheres necessariamente se transformassem em combatentes profissionais – um dos mitos que o filme Feminino Cangaço ajuda a elucidar. As mulheres portavam e manejavam armas, mas com exceção de Dadá, não atuavam na frente de combate. Muitas vezes, os tiros de suas pistolas serviam como sinalização, comunicando sua posição pelo som.

Como pesquisador, Manoel Neto avalia que muito da literatura do cangaço peca pela superficialidade, “porque a pessoa lê um livro sobre o cangaço e se sente capaz de fazer mais dois, guiada mais pela imaginação, pelo imaginário, do que pela pesquisa”.

No caso específico da produção de “Feminino Cangaço”, o desafio foi o de não olhar para a mulher enxergando só o cangaço, mas tentando olhar para a cangaceira como mulher. Na comemoração dos 100 anos de nascimento de Maria Bonita, segundo ele, “todo mundo se pegou falando em cangaço e não em Maria Bonita”.

Memória – No dia 24 de agosto, a Procuradoria Especial da Mulher do Senado dedicará a 45ª Pauta Feminina à discussão, com pesquisadores e realizadores, do papel do cinema na construção da memória da experiência das mulheres. Disponível no Youtube, “Feminino Cangaço” será exibido pela TV Senado, assim como uma edição do programa de entrevistas Cidadania (foto), realizada com a participação do professor Manoel Neto e da senadora Lídice da Mata (PSB-BA).

Portal do Senado, com Assessoria da Procuradoria Especial da Mulher no Senado