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Foto: Jefferson Rudy (Agência Senado)

Foto: Jefferson Rudy (Agência Senado)

A senadora baiana Lídice da Mata (PSB-BA) manifestou-se contra o impedimento de Dilma Rousseff, indo contra à orientação de seu partido. Em discurso no plenário do Senado, Lídice fez uma veemente defesa da presidente e classificou o impeachment como uma farsa promovida pelas elites políticas, econômicas e midiáticas para tomar o poder de uma mulher eleita com mais de 54 milhões de votos. A senadora baiana também defendeu a realização de um plebiscito, onde o povo decidirá sobre a antecipação das eleições presidenciais.

Lídice falou sobre o atual cenário político à repórter Ruth de Souza, do jornal Olho Crítico, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Se esse impeachment vingar, quem sai prejudicado?

Lídice da Mata: Haverá um conflito de agenda muito forte, onde as forças do capital irão prevalecer e o peso da crise será carregado somente pela classe trabalhadora.

Por que a senhora é contra o impeachment e como vê esse processo?

Lídice: Eu sou contra porque esse impeachment é uma farsa, uma conspiração de boa parte do Congresso, que deseja um governo fraco e refém dos seus caprichos. É um golpe das grandes empresas nacionais, dos meios de comunicação e da oposição ao governo. Inconformados com a derrota, querem golpear a nação retirando uma presidente, legitimamente eleita, sem crime, como já foi comprovado pelo Ministério Público e pela perícia do Senado.

Como avalia esse governo interino de Michel Temer?

Lídice: Ele quer impor ao povo brasileiro, especialmente aos trabalhadores, sua plataforma de ajustes fiscais, tornando o trabalhador o principal pagador da crise. Este é o governo de Michel Temer – comandado pelos grandes interesses do capital.

A senhora citou o Frank Underwood, personagem de House of Cards, em seu discurso no Senado.

Lídice: Sim, por que esta é uma série famosa sobre um congressista, cuja ambição o fez transpor todos os limites éticos para se tornar presidente da República. Este personagem retrata muito bem Eduardo Cunha e Temer.

Como começou essa crise política?

Lídice: Ela começa com uma crise econômica (todos os governantes desse país já puderam conviver com alguma) e a oposição aproveitou-se disso. O então presidente da Câmara, ambicioso e sem escrúpulo, aceitou realizar o impeachment, que é fruto de uma vingança política do pior caráter, uma vingança pessoal de Cunha e seus aliados.

O plebiscito seria uma saída?

Lídice: O plebiscito é uma possibilidade de decisão do povo. O impeachment, está demonstrado, é um caminho radical, um caminho contra a democracia do país.