A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) considerou lamentável e preocupante o fato das eleições deste ano registrarem menor índice de participação de mulheres candidatas em relação ao pleito de 2012. Este ano, as mulheres representam 31,60% do total de candidatos nas eleições municipais. Apesar de ter ultrapassado o patamar mínimo de 30% estabelecido pela Lei das Eleições, o índice ainda é menor do que o registrado em 2012, quando 32,79% dos candidatos eram mulheres. Lídice considera que, em um cenário onde a participação das mulheres na política está longe de apresentar equilíbrio entre eleitorado feminino e sua representatividade, qualquer redução do número de mulheres na disputa eleitoral, por menor que seja, “é lamentável e preocupante”.
A senadora lembra que as razões desta distância entre o número de mulheres e a representatividade são bem conhecidas, e secularmente construídas e preservadas pelas forças dominantes: desigualdade entre os sexos, violência de gênero, sobrecarga de trabalho (dupla jornada), uma realidade fartamente revelada em todos os indicadores sociais, agravada pela desigualdade social e política. “É importante destacar o papel relevante de um sistema eleitoral para acelerar a superação da sub-representatividade feminina na política. Sistema este que, por si só, demonstrou ineficiência para promover a ascensão política mais igualitária das mulheres”, disse a parlamentar baiana.
Em países que aproximaram a paridade entre os sexos, com mais mulheres no Poder Legislativo – por exemplo, o sistema de lista fechada com definição de posição para as mulheres (alternância) tem sido um mecanismo de êxito. “Na reforma política aprovada, tal mecanismo foi recusado. Porém, nas eleições deste ano, além de todas as dificuldades já pontuadas, com o fim das doações empresariais de campanha sem se definir o financiamento público, ficou ainda mais complicado para as mulheres. Em uma sociedade conservadora e patriarcal, onde as mulheres sempre encontraram dificuldade de financiamento de suas campanhas, é evidente que diante de um quadro de redução de recursos, as candidaturas masculinas têm muito mais chances”, reforçou Lídice.
Para a senadora, essa mudança acaba por beneficiar justamente quem tem mais poder econômico ou capacidade de captar recursos. Outro aspecto que Lídice lembra é que o atual momento político é de muito descrédito na política. “Não resta dúvida que esse clima também acaba interferindo e desmotivando a participação das mulheres na política”, disse Lídice da Mata.
Leia na Agência Senado: Número de mulheres candidatas diminui em relação a 2012
Assessoria de Imprensa – 29/09/2017

