Ao homenagear os 467 anos da capital da Bahia na tribuna do Senado Federal, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) enalteceu o “perfil criativo” dos baianos e defendeu que as experiências exitosas de economia criativa de Salvador possam se transformar em políticas públicas, com capacidade de atravessar “governos e partidos”. Lídice lembrou que Salvador tem raízes históricas nos movimentos culturais afro-brasileiros e de resistência ao racismo. “A economia criativa tem prosperado quase que espontaneamente, em especial nas áreas artística e cultural”, ressaltou, dando como exemplo de parceria pública e privada o carnaval de Salvador.
Lídice também lembrou que, quando prefeita de Salvador, ajudou a criar as condições para profissionalizar o carnaval. “Na minha gestão, transformamos a Casa do Carnaval num centro de operações, profissionalizado, que tinha como objetivo dotar a Prefeitura de uma visão coordenada de todas as ações e recursos referentes à grande festa”. Para Lídice, o megaevento que atrai turistas do mundo inteiro e do Brasil ainda precisa de ajustes para “não esgotar sua capacidade de criar novas formas de expressão cultural e também novos produtos da economia criativa”.
A senadora baiana mencionou como exemplos de economia criativa a fundação do bloco afro Ilê Ayiê, na década de 70, e a criação de outros como o Olodum (1979), Ara Khetu (1980) e Muzenza (1981). “Esses blocos afro têm o objetivo de garantir um espaço próprio no carnaval e afirmar os valores afro-baianos. Foram importantes para a criação e consolidação de um mercado fonográfico local, ao lado de uma nova geração de artistas como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Carlinhos Brown e Margareth Menezes, entre inúmeros outros talentosos artistas baianos”, ressaltou.
Lídice disse acreditar ser possível abrir no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador um espaço institucional para os distritos criativos, tal como foi feito em São Paulo.
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