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Plenário do Congresso

Com um discurso contundente, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) participou da sessão especial do Senado pela passagem do Dia Internacional da Mulher. Em seu pronunciamento, a parlamentar baiana destacou os problemas ainda enfrentados pelas mulheres como a violência e o desemprego; criticou a reforma da Previdência; e também homenageou a policial Denice Santiago, que comanda a Ronda Maria da Penha, da Polícia Miltar da Bahia, agraciada com o Diploma Bertha Lutz.

A senadora chamou a atenção para a marcha das mulheres que ocorre em todo o País e que busca sensibilizar e alertar a população sobre a violência de gênero, o machismo, a homofobia e o racismo. Lídice lembrou que o Brasil é o quinto país em índices de feminicídio – que é o assassinato de mulheres pela condição de serem mulheres –, com média de 4,6% assassinadas a cada 100 mil. “Ainda assim, temos em nosso País iniciativas e realizações para transformar este quadro, com a promoção de mudanças que já estavam em curso em todo o mundo e se fortaleceram nos últimos anos”, assinalou.

A parlamentar baiana também criticou a proposta do governo que pretende igualar a idade de 65 anos para a aposentadoria no texto da reforma da Previdência. Sobre a questão da empregabilidade, a senadora baiana ressaltou que apesar de trabalharem mais horas, elas ganham apenas 62% do salário de um homem com o mesmo grau de ensino. “No trabalho, também permanece maior concentração de desemprego entre as mulheres: segundo o IBGE, em 2015, a taxa de desemprego entre elas era de 11,7%, enquanto para os homens foi de 7,9%. Naquele ano, as mulheres representaram 53,6% do total de 10 milhões de desempregados”.

Homenagem – A senadora também homenageou as mulheres agraciadas com o Diploma Bertha Lutz, entre elas a major Denice Santiago, comandante da Ronda Maria da Penha, que busca coibir casos de violência contra a mulher na Bahia. A homenagem à policial foi uma indicação de Lídice da Mata. “Denice representa a força e a garra das baianas: mulher, negra, integrante de uma instituição composta exclusivamente por homens durante 165 anos de existência, num Estado com altos índices de violência contra as mulheres. O principal mérito da Major Denice é sua contribuição no enfrentamento da violência sexista, evidenciada na sua vida pessoal e profissional. Suas realizações vêm despertando interesse de pesquisadores e se tornando referência no rompimento de conceitos e práticas discriminatórias, patriarcais e racistas, ainda dominantes e enraizadas na vida social, desde o mundo afetivo e privado ao mundo público”, finalizou.

Também foram homenageadas Diza Gonzaga, por sua coragem em, após ter perdido seu filho num acidente de trânsito, ter transformado sua dor em luta criando a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, entidade responsável pelo Programa Vida Urgente, com projetos que visam valorizar a vida com ações de prevenção à violência no trânsito. Outra homenageada foi a diplomata Isabel Cristina de Azevedo Heyvaert. Formada em Administração de Empresas e Relações Internacionais pelo Instituto Rio Branco, ela superou barreiras e venceu preconceitos para se destacar como uma das primeiras mulheres no Itamaraty. É embaixadora do Brasil na República da Sérvia e foi embaixadora da Etiópia em 2010.

O Diploma Bertha Lutz também foi entregue à professora universitária Raimunda Luzia de Brito, formada em Direito e doutora em Ciência da Educação, ex-presidente do Coletivo de Mulheres Negras do Mato Grosso, que tem como objetivo a comunicação, informação e monitoramento das políticas públicas na área da saúde da população negra, com ênfase na saúde da mulher. A jornalista e escritora Tati Bernardi também recebeu a condecoração. Formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, romancista, cronista e roteirista, ela se tornou conhecida pela forma corajosa, divertida e contundente com que aborda relacionamentos, mercado de trabalho, política e feminismo. Colaborou com as telenovelas “Sangue Bom” e “A Vida da Gente” e como roteirista do seriado “Aline” e do talk show “Amor & Sexo”. Foi ainda roteirista dos filmes “Qualquer Gato Vira-Lata” e “Meu Passado me Condena”.

Leia mais sobre a entrega do Diploma Bertha Lutz na Agência Senado:  Sessão pelo Dia da Mulher teve entrega do Diploma Bertha Lutz e protestos

Confira também reportagem da TV Senado: Congresso celebra Dia Internacional da Mulher com entrega do Diploma Bertha Lutz