Foi lançada este mês, no Portal do Senado, a página História Oral, que contém um conjunto de depoimentos – registrados em texto, vídeo e áudio – de ex-constituintes que atualmente são senadores, dos relatores na época e ex-Presidentes da República sobre a Assembleia Nacional Constituinte e o aniversário de 30 anos da promulgação da Constituição Federal. Os relatos foram concedidos por senadores em exercício na atual 55ª Legislatura (2010-2018), como Lídice da Mata (PSB-BA), Edson Lobão (MDB-MA), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), José Agripino (DEM-RN), José Serra (PSDB-SP), Paulo Paim (PT-RS), Raimundo Lira (MDB-PB) e Rose de Freitas (Pode-ES), além do relator-geral da Constituinte, ex-deputado e ex-ministro Bernardo Cabral, o ex-relator-adjunto, também ex-deputado e ex-ministro Nelson Jobim, e o ex-Presidente da República, que governou sob a nova Carta, senador Fernando Collor (PTC-AL), em exercício nesta Legislatura.

 

“O programa ‘História Oral’ segue uma técnica de trabalho da arquivologia. É um acervo feito por meio da coleta de depoimentos orais ou multimídia e esses relatos são um legado para o cidadão brasileiro”, explica a servidora do Serviço de Arquivo Histórico (Seahis) Virgínia Galvez. Para Virgínia, as entrevistas foram, sobretudo, emocionantes. “Um ponto em comum entre os depoentes é que todos manifestaram muita alegria e orgulho por terem participado do processo da Constituinte. Sentir-se parte dessa história foi uma rica experiência para a vida de cada um deles”, relata. E não é para menos. A Constituição de 1988 não só foi um marco histórico na retomada da democracia, como resultou em um novo ordenamento jurídico na estrutura do Estado. “Os constituintes pensavam o País de uma forma profunda. Aquele foi um momento em que o Brasil estava coroando seu processo de redemocratização, com novos direitos sociais, perspectivas para a economia, medidas de proteção ao meio ambiente e com a participação das mulheres. Imagine o que foi participar desse processo”, observa Virgínia.

 

A jornalista do Arquivo Histórico Tânia Fusco, que também participou da construção do projeto “História Oral”, destaca alguns depoimentos inusitados. “Nós perguntamos aos parlamentares o que eles faziam antes de se tornarem personalidades políticas. Um relato interessante foi o do senador Paulo Paim, que nos contou, como líder sindical, que a sua primeira campanha foi feita em papeis de pão. Ele escrevia à mão o número dele (como candidato) nesses papeis e os distribuía”, cita. Outro fato curioso tem a ver com as cenas frequentes de ciúmes entre as duas figuras mais poderosas da época. “De um lado, o senador líder do partido de esquerda Mario Covas, do outro, o presidente da Câmara dos Deputados e da Constituinte, Ulysses Guimarães. Sempre que o doutor Ulysses convocava os pares para as reuniões, este se denominava como doutor Ricardo. Esse foi um drible encontrado para que o senador Mario Covas não se sentisse aborrecido”, diz Tânia. Para Tânia Fusco o projeto “História Oral” também é uma forma de reviver o passado. “Estar envolvida com o projeto me fez resgatar memórias e matérias antigas, belíssimas, produzidas pelos colegas da Casa no período da Constituinte. Foi comovente”, afirma.

 

Embora o acervo já esteja disponível no portal do Senado, o Arquivo Histórico continua a realizar entrevistas com mais constituintes. Confira aqui a íntegra de todos os depoimentos e também os quatro blocos da gravação com a senadora Lídice da Mata (PSB-BA).

 

Com informações da Intranet do Senado Federal