
A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) cobrou da Prefeitura de Salvador uma solução para evitar que os trabalhadores de Zona Azul não fiquem sem ocupação após a automatização do serviço. A parlamentar recebeu um grupo de guardadores de carros que temem ficar sem nenhuma renda após a adoção da cartela digital por meio de um aplicativo.
Ex-prefeita de Salvador, Lídice disse que a inovação é bem vinda, mas alertou que é preciso pensar em soluções para as pessoas que dedicaram uma vida a esse trabalho e que agora correm o risco de serem descartadas e ficarem sem mercado e sem nenhuma renda.
É gente como a guardadora Terezinha de Jesus, que já passou dos 50 e não tem nenhuma perspectiva de recolocação no mercado de trabalho. “Eu perdi minha força e a minha juventude na Zona Azul e agora não sei o que fazer”, relatou a guardadora que vive uma situação dramática.
Ela e outros 20 a 30 guardadores de carro procuraram Lídice para relatar a situação e o incômodo com a possibilidade de não ter mais como garantir o pão de cada dia para filhos, irmãos, pais e netos. A maioria já tem mais de 40 e a ambientação com a tecnologia parece algo muito, mais muito difícil. “São pessoas humildes, que têm pouca escolaridade e que terão dificuldades com a tecnologia”, chamou a atenção o servidor público Samuel Nonato, que é filho de um guardador de carro e espécie de porta-voz dos profissionais que não se sentem representados pelo sindicato da categoria.
Em janeiro deste ano, o Dieese – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – divulgou um balanço das vagas no mercado de trabalho no mês de outubro de 2018 e o estudo revela que o índice de desemprego na região metropolitana de Salvador voltou a subir em outubro depois de seis meses em queda. A proporção das pessoas sem emprego na capital baiana passou de 19,7%, em setembro, para 20,4%.
Em nota publicada na imprensa, o Sindicato dos Guardadores e Lavadores de Veículos Automotores do Estado da Bahia (Sindguarda), alerta que a implantação do sistema deveria ser feito de forma a garantir a manutenção dos empregos.
O presidente do Sindguarda, Melquisedeque Souza, afirmou que o sindicato está pronto para trabalhar como o novo sistema, que é bem-vindo, uma vez que “não prejudique o trabalho dos guardadores, já que muitos necessitam do trabalho para sustentar suas casas e suas famílias”.
Para ele, “o guardador é de extrema importância, principalmente pela segurança dos motoristas e do veículo. Sem alguém para observar os carros estacionados, o número de flanelinhas aumentará nas zonas azuis”, argumenta.
Assessoria
05.02.2019
