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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o assassinato de jovens no País vai pedir às autoridades do Executivo e do Judiciário de todas as unidades da Federação informações sobre a quantidade de jovens entre 12 e 29 anos mortos entre janeiro de 2014 e outubro deste ano em intervenções policiais. O pedido foi aprovado pela CPI em reunião nesta terça-feira (29). Os senadores também querem saber a raça e o sexo das vítimas, o número de jovens desaparecidos no mesmo período e a quantidade de policiais assassinados. Essas solicitações foram apresentados pelo relator da comissão, Lindbergh Farias (PT-RJ).

O senador solicitou que todos os estados e o Distrito Federal remetam à CPI os registros de desaparecimentos no ano de 2014, bem como as informações dos denunciantes. E disse ser necessário contatar as famílias para conhecer os desfechos das ocorrências. “Nesse caso, haverá um compromisso oficial do Senado, assumido pelos pesquisadores que receberem os dados, de não divulgar as identidades das vítimas nem dos seus familiares”, salientou o senador. Lindbergh quer ainda o acesso ao número de inquéritos de “autos de resistência” ou morte em decorrência de intervenção policial encaminhados ao Ministério Público de cada Estado nos anos de 2007 a 2014 e também que a CPI ouça representantes de instituições envolvidas no combate à violência, como a Associação dos Delegados da Polícia Federal (Adepol), por exemplo.

Audiências previstas –  De acordo com a presidente da CPI, senadora Lídice da Mata (PSB-BA), a Comissão deve realizar, nos próximos dois meses, audiências públicas em cidades dos estados de São Paulo, Bahia, Goiás e Rio de Janeiro. A Comissão também irá a Cuiabá para verificar o crescimento do número de ocorrências na capital de Mato Grosso. O senador José Medeiros (PPS-MT) lembrou que, segundo o Mapa da Violência 2015, os casos de vítimas de armas de fogo no Estado aumentaram 11,42% em dez anos. “Em termos absolutos, o número de mortes causadas por arma de fogo aumentou 8,6%, em dez anos e a taxa de morte nessa modalidade ainda é maior do que a taxa nacional. Além disso, o  levantamento mostrou que, em 2012, em Mato Grosso, a taxa de homicídios entre a população de negros foi 81% maior que a de brancos”, alegou Medeiros no requerimento.

Os senadores também deverão ir uma cidade do sertão pernambucano, ainda a ser definida, para debater o assassinato de jovens e o consumo de bebidas alcoólicas. A proposta foi apresentada pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Ele explicou que nos municípios sertanejos o acesso de crianças e adolescentes ao álcool é muito fácil. “Nesses municípios é comum assistir a crianças com seus 10, 11 anos de idade consumirem álcool, atos absorvidos pela comunidade de forma comum e socialmente aceitos, especialmente quando se trata do sexo masculino. Seria apenas coincidência os estudos demonstrarem que jovens do sexo masculino sofram mais com a letalidade dos conflitos?”, questionou o líder do PT no Senado. As datas das próximas audiências ainda serão definidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

Com informações da Agência Senado